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quarta-feira, 3 de maio de 2023

CEREST Marília disseminando informações sobre Saúde e Segurança no Trabalho

Com o objetivo de disseminar informações referentes à saúde do trabalhador, o CEREST Regional Marília publicizou dados registrados no SINAN sobre acidentes de trabalho envolvendo ferimentos oculares.


Isso se deve à avaliação de nosso banco de dados, realizada anualmente, que permitiu a identificação de um alto (e constante) número de acidentes de trabalho com ferimento ocular nos últimos anos.


Somente em 2022 foram 365 acidentes. Isso traz dificuldades à vida do trabalhador, ao desempenho das atividades laborais seja para autônomos ou para contratados de empresas e ainda contribui para um alto índice de atendimentos de trabalhadores nas unidades de pronto atendimento, ambulatório de oftalmologia e unidade de saúde. 


                                               


Por esse motivo, informar a quantidade de acidentes, atividades que mais acidentam e condição de trabalho que favorece tais acidentes auxiliar na conscientização da população sobre os risco dessas ocorrências. Assim, entre Abril e Maio, fizemos a divulgação dos dados no site da Prefeitura Municipal de Marília e em dois jornais do município: Jornal da Manhã e Marília Notícias. 






Mais do que registrar e portar informações sobre a saúde e segurança do trabalhador é preciso utilizá-las em benefício usuários do SUS que estão na sociedade desenvolvendo suas atividades laborais. 





Também veiculamos nas redes sociais do CEREST modos de proteção dos trabalhadores contra esse tipo de acidente, que consiste especialmente no uso de óculos de proteção certificado.

Por isso, deixamos disponíveis aqui os links para as reportagens (basta clicar na imagem das reportagens) e acesso ao instagram @cerest.marilia e facebook https://www.facebook.com/cerestregionalmarilia !! Sigam a gente por lá e fiquem por dentro das principais atividades do CEREST. 




quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Hoje é o Dia D de Segurança com Eletricidade.



E para hoje foi programada uma ação no comércio de Marília, para orientação sobre o risco de acidentes de trabalho com eletricidade. Mas...

Como isso foi feito?

Os técnicos do CEREST visitaram as principais lojas do comércio local:

- comércio de materiais elétricos; 
- comércio de material de construção;  
- comércio de tintas; 
- comércio de ferragens. 

O que foi feito nas visitas?

As visitas foram o momento ideal de uma boa conversa realizada com proprietários, gerentes e vendedores das lojas, além de um bate-papo com os trabalhadores autônomos da construção civil que estavam no local, e foi a conversa com esses trabalhadores que a ação fez mais sentido! É bom ter acesso direto com os trabalhadores e poder estar com eles pensando em sua segurança. 

Qual é a expectativa de resultado dessa ação? 

Conscientizar sobre riscos no trabalho com eletricidade ou próximo a redes e instalações elétricas, como estratégia para prevenir acidentes de trabalho com choques elétricos; bem como, educar e orientar trabalhadores sobre como proceder em atividades que envolvam riscos de choque elétrico.
Espera-se que todos os abordados sejam multiplicadores deste conhecimento para os trabalhadores que busquem suas lojas.



terça-feira, 23 de abril de 2019


 28 DE ABRIL – DIA MUNDIAL DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO
EM MEMÓRIA ÀS VÍTIMAS DE ACIDENTES E DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO

A celebração do dia 28 de abril surgiu por iniciativa do movimento sindical, no Canadá, como denúncia e protesto contra as mortes e doenças causados pelo trabalho.
A data foi instituída pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2003, como uma homenagem às vítimas de uma explosão ocorrida em 1969 em uma mina no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos, que matou 78 trabalhadores. Desde então, no dia 28 de abril, são celebrados eventos em diversos países para a conscientização dos trabalhadores e dos empregadores quanto aos riscos de acidentes no trabalho. De acordo com a OIT, anualmente, cerca de 270 milhões de trabalhadores são vítimas de acidentes de trabalho em todo o mundo.
Em 2005, a data também foi instituída no Brasil como Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, pela Lei nº 11.121/05.
O CEREST REGIONAL DE MARÍLIA (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador) é um dos 178 CERESTs do país, que vêm integrando as celebrações do dia 28 de Abril promovendo ações para melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida do trabalhador.
          Neste ano, no mês de Abril estaremos:

* Divulgando semanalmente vídeos sobre acidentes e doenças relacionados ao trabalho;

* Apoiando a atenção básica no desenvolvimento de atividades coletivas voltadas para a educação em Saúde do Trabalhador;

* Apoiando empresas nas atividades educativas firmando o Abril Verde como o maior apoio à causa de segurança do trabalho;

Cabe aos Cerests regionais capacitar a rede de serviços de saúde, apoiar as investigações de maior complexidade, assessorar a realização de convênios de cooperação técnica, subsidiar a formulação de políticas públicas, apoiarem a estruturação da assistência de média e alta complexidade para atender aos acidentes de trabalho e agravos de notificação compulsória citados na Portaria 104/10, e demais ações afins que se fizerem necessárias em seu território de abrangência.
Criou-se em Marília desde 2005 uma rede de atenção aos trabalhadores deste município, com o registro sistemático dos acidentes de trabalho que são atendidos pela rede de saúde. Desde 2005 o banco de dados de acidentes de trabalho do município, alimentado principalmente pelas investigações das unidades de saúde, tem estruturado, tornando-se uma ferramenta eficaz (e confiável) na orientação de ações de vigilância em saúde e segurança dos trabalhadores, e como base a análise de questões em saúde do trabalhador em Marília.

ACIDENTES DE TRABALHO REGISTRADOS POR MEIO DA FINAT, SEGUNDO CLASSIFICACAO DO AGRAVO NO MUNICÍPIO DE MARÍLIA NOS ANOS DE 2017 E 2018

CLASSIFICAÇAO (Grau de Risco)
2017
%
2018
%
MODERADO
218 (51,9%)
51,9%
9%
311
57,2%
GRAVE
197
46,9%
226
41,5%
FATAL
  05
  1,2%
  07
  1,3%
Total
420
100%
544
100%
Fonte: FINAT – Ficha de Notificação de Acidente de Trabalho

Com relação aos acidentes graves, foram notificados e registrados em banco de dados 226 acidentes, sendo estes divididos em: fratura (189), amputação (08), contusão (06), queimadura (06), FCC (05), perfuração (04), entorse (03), lesão ocular (03), esmagamento (01) e TCE (01).

ACIDENTES DE TRABALHO FATAIS REGISTRADOS NO CEREST, OCORRIDOS EM MARÍLIA NO ANO 2018

Nº
Diagnóstico
01
ELETROPRESSÃO APÓS ESCADA TER ENCOSTADO EM REDE ELÉTRICA – ACIDENTE TÍPICO
01
ESMAGAMENTO DE ABDOMEM APÓS SOFRER QUEDA DE ESCADA – ACIDENTE TÍPICO
01
MORTE POR ASFIXIA APÓS DESMORONAMENTO DE TERRA EM VALA DE REDE DE ESGOTO – ACIDENTE TÍPICO
01
POLITRAUMATISMO APÓS COLISÃO DE CARRO COM CARRO –
ACIDENTE TRAJETO
01
POLITRAUMATISMO APÓS COLISÃO DE MOTO COM CAMINHÃO –
ACIDENTE TRAJETO
01
PERFURAÇÃO EM TÓRAX E TCE APÓS CAPOTAR CAMINHÃO – ACIDENTE TÍPICO
01
TCE PROVOCADO POR QUEDA DE ALTURA (TELHADO 5 METROS) – ACIDENTE TÍPICO
 Fonte: FINAT– Ficha de Notificação de Acidente de Trabalho

  Dos acidentes com óbito notificados, em cinco deles não foram realizados intervenção nos locais das ocorrências, pois dois destes casos foram acidentes de trajeto, um foi acidente típico ocorrido no trânsito e em outros dois casos os acidentes ocorreram com trabalhadores autônomos, porém, por meio da visita domiciliar foi realizado orientações cabíveis referentes às ocorrências. Dos casos em que cabia intervenção por parte do CEREST foram realizadas orientações técnicas (alterações de estratégias na realização da atividade laboral, adoção de barreiras e outras medidas protetivas e educativas com o objetivo de se evitar novas ocorrências), além de encaminhamento de uma delas para o Ministério Público do Trabalho em Bauru. 
          




quinta-feira, 24 de março de 2016

Sequência de acidentes fatais, coloca CEREST Regional Marília em alerta

Segundo o Portal G1 de notícias, operários morrem soterrados em obra de galeria de esgoto em Marília.
As vítimas teriam desmaiado após serem surpreendidas por um gás.
Empresa diz que lamenta a morte dos funcionários e que presta assistência.
Dois operários de uma obra de galerias de esgoto morreram soterrados nesta quarta-feira (23) à tarde em Marília (SP). Segundo o Corpo de Bombeiros, os homens trabalhavam na limpeza do esgoto a cinco metros embaixo da terra, quando foram surpreendidos com um gás.

(Foto: G1)

O gás saia de dentro do esgoto. Edvaldo Nascimento, de 45 anos, teria sido o primeiro a descer. Ele desmaiou e o colega de trabalho Gilson Porto, de 46 anos, tentou retirá-lo do esgoto, mas a terra, que estava ao lado, caiu no buraco e soterrou os dois.
Dez homens do Corpo de Bombeiros trabalharam para socorrer os soterrados. A terra era tirada com baldes e quando um caminho era aberto, um bombeiro descia com equipamento respiratório na tentativa de chegar até as vítimas. O trabalho durou uma hora e meia, até que eles foram retirados sem vida. “Foi feito trabalho muito delicado para retirar a terra para tentar retirá-los com vida”, explica o tenente do Corpo de Bombeiros Ricardo Marçal.
A polícia esteve no local e vai investigar as causas das mortes. “Nós requisitamos perícia, será apurado o eventual delito de homicídio culposo. O problema é o gás que ocasionou o desmaio. Eu acredito que eles não usavam equipamento de segurança, mas tudo isso será apurado”, diz o Eduardo Tucunduva.
Em nota, a Replan Saneamento e Obras, diz fornece todos os equipamentos de proteção individuais e que os funcionários estavam equipados.
A empresa também lamentou a morte dos funcionários e diz que está prestando toda assistência aos familiares. Eles afirmam que a fatalidade será esclarecida após laudos técnicos e que vão prestar todas as informações necessárias e solicitadas.

Antes disso, outro acidente fatal, deixa um trabalhador ferido e leva outro a morte.
A notícia, publicada pelo Portal de G1 de Notícias, relata que peças de mármore caíram sobre os funcionários de marmoraria.
Vítimas foram socorridas, mas um homem de 36 anos não resistiu e outro ficou gravemente ferido após um acidente de trabalho em uma marmoraria no bairro Santa Antonieta, em Marília (SP), na manhã de sexta-feira 11/03/2016. De acordo com os bombeiros, os funcionários carregavam placas de mármore, quando três delas caíram em cima deles.

(Foto: G1)

Ainda segundo os bombeiros, cada placa pesa 300 quilos, ou seja, como foram três placas, 900 quilos de mármore caíram sobre eles.
Os dois foram encaminhados ao Hospital das Clínicas. Mas o hospital informou que o funcionário João Paulo Gonçalves da Silva, de 36 anos, teve uma parada cardiorespiratória e morreu. A outra vítima continua internada.
A marmoraria fechou depois do acidente e a polícia científica esteve no local para avaliar as causas.

Em fevereiro deste ano, o Portal de Notícias Diário de Marilia, refere que a Polícia Civil de Oriente (15 km de Marília) investigava as circunstâncias da morte do montador Francisco Jefferson da Silva, de 22 anos, vítima de acidente de trabalho na manhã de 15/02/2016, na zona rural. Ele foi asfixiado por uma corda, durante operação frustrada que pretendia içar e posicionar parte de uma estrutura metálica, na montagem de uma torre de transmissão de energia elétrica em alta tensão. Há suspeita de negligência.
O acidente que matou Silva também feriu, com gravidade, o montador Carlos Gonçalves do Amorim, 45 anos. Jerry Adriano Pereira de Souza, 22, teve lesões leves e não precisou ficar hospitalizado. Já Amorim continua internado no Hospital das Clínicas.
Conforme relato dos funcionários à polícia, 12 trabalhadores estavam no local no momento do acidente, a uma altura de 60 metros. Eles manobravam uma peça conhecida pelos montadores como “facão”, com peso aproximado de 800 quilos.
Porém, de acordo com o delegado Cláudio Anunciato Filho, informações preliminares indicam que o grupo usava uma corda e uma polia para sustentar a peça. A polícia quer saber se havia, pelas condições técnicas do trabalho, a necessidade de um guindaste. “Se esse material e esse método estava inadequado, pode ficar caracterizada negligência”, afirmou.
O componente da torre não chegou a ir ao solo. Os três trabalhadores feridos usavam EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e não sofreram queda livre. José Francisco e Carlos foram içados pelos colegas pelo cinto de segurança.
As vítimas foram levadas à UBS (Unidade Básica de Saúde) de Oriente, onde Francisco chegou já sem vida. Ele morreu em virtude da corda que ficou envolta em seu corpo. A Polícia Civil e o IC (Instituto de Criminalística) foram até o local para perícias e apuração do caso. O Ministério do Trabalho também foi informado sobre o acidente e deve encaminhar laudo à polícia.
A maior parte do grupo mora no Estado do Piauí e residia em Oriente, de forma temporária, para a montagem da torre de transmissão. O corpo de Francisco foi submetido à exame necroscópico e encaminhado à família. Carlos permanece internado.
Os representantes da empresa de construções e montagens, com endereço em Pindamonhangaba, serão acionados para prestar esclarecimentos. A polícia apura se os trabalhadores receberam treinamento e orientação sobre a instalação da peça, além da possibilidade ou não da utilização de polias.

A equipe do CEREST Marília, foi até os locais dos acidentes fatais coletar informações, que possam apoiar a compreensão dos motivos dos acidentes de trabalho e que permitam programar ações preventivas que visem evitar novas ocorrências como estas.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

DIA 27 DE JULHO - DIA NACIONAL DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES DO TRABALHO

A data é símbolo da luta dos trabalhadores brasileiros por melhorias nas condições de saúde e segurança no trabalho. No início da década de 70, havia uma iniciativa do Banco Mundial em cortar os financiamentos para o Brasil, caso o quadro de acidentes de trabalho não fosse revertido, isso resultou na publicação das portarias nº 3236 e 3237, em 27 de julho de 1972, pelo ministro do Trabalho, Júlio Barata.  A criação do modelo brasileiro de SESMT já estava previsto desde 1967 na Consolida­ção das Leis do Trabalho (CLT). O Artigo 164 do Decreto-Lei nº 229, de 28 de feve­reiro de 1967 (que alterou o Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943) determinava que as empresas que, a critério da au­toridade competente em matéria de Segurança e Higiene do Trabalho, estivessem enquadradas em condições estabele­ci­das nas normas expedidas pelo Departa­mento Nacional de Segurança e Higiene do Trabalho (DNSHT) deveriam manter, obri­gatoriamente, Serviço Especializado em Segurança e Higiene do Trabalho, além de constituir Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPAs).   

A regulamentação deste artigo da CLT de 1967 deu-se através da Portaria nº 3237, de 27 de julho de 1972, sendo de­pois modificada pela Portaria Nº 3.089, de 1º de abril de 1973.Vale salientar que a Portaria 3237/72 foi antecedida pela Por­taria 3236/72, que criava subprogra­mas, projetos e atividades prioritárias do Programa de Valorização do Trabalhador (PNVT), cuja meta estabelecia a prepa­ração, em dois anos, de quase 14 mil profissionais de nível superior e médio para via­bilizar os SESMTs. Em 1978, por meio da Por­taria 3.214 foi regulamentada a norma que passou a reger esses serviços, a NR 4. 

O modelo de SESMT previsto pela NR 4 é vigente até hoje, além de determinar que empresas privadas e públicas man­tenham o Serviço com a finalidade de pro­mover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho, tam­bém aponta  o dimensionamento dos serviços especializados  vincula­dos à gradação do risco da atividade principal e ao número total de empregados do estabelecimento. Os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho devem ser compostos por Médico do Trabalho, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Técnico de Segurança do Trabalho, Enfermeiro do Trabalho e Auxiliar ou Técnico em Enfermagem do Trabalho.

A esses profissionais que integram os SESMTs, ainda conforme a Norma, cabe rea­lizar atividades como aplicar os conhecimentos da área com o objetivo de reduzir até eliminar os riscos existentes à saúde do trabalhador, determinar a ­utilização, pelo trabalhador, do Equipamento de Proteção Individual (EPI), colaborar nos projetos e na implementação de novas instalações físicas e tecnológicas da empresa, responsabilizar-se tecnicamente pela orientação quanto ao cumprimento do disposto nas NRs aplicáveis às atividades exe­cutadas pela empresa e manter permanente relacionamento com a CIPA. Além disso, também compete aos profissionais do SESMT promover a realização de atividades de conscientização, educação e orientação dos trabalhadores para a prevenção de acidentes de trabalho e do­enças ocupacionais; esclarecer e cons­ci­entizar os empregadores sobre acidentes de trabalho e doenças ocupacionais; a­nalisar e registrar em documento especí­fico todos os acidentes ocorridos na empresa; registrar mensalmente os dados atualizados de acidentes de trabalho, bem co­mo focar suas atividades essencialmente na prevenção.  

Passados anos desde a  oficialização das portarias, ainda não temos motivos para comemorar. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o grau de descumprimento das normas de proteção para os funcionários coloca o Brasil em quarto lugar no ranking mundial de países com alto índice de acidentes trabalhistas, atrás apenas de China, Estados Unidos e Rússia.

Fonte:Redação Revista Proteção

quarta-feira, 8 de julho de 2015

MPT lança aplicativo de celular para flagrar irregularidades trabalhistas

Denunciante poderá enviar foto, vídeo e áudio, que servirão de provas para os casos como os de trabalho infantil e escravo

Brasília - O Ministério Público do Trabalho (MPT) acaba de lançar um inovador aplicativo destinado a dispositivos móveis com o fim de fomentar a captação de flagrantes de irregularidades prejudiciais a direitos difusos e coletivos de trabalhadores. Trata-se do "MPT Pardal", já disponível para a plataforma móvel Android (PlayStore). Em breve, também será lançada versão para iOS e para outros sistemas operacionais de dispositivos móveis. O envio da denúncia ao Ministério Público do Trabalho via MPT Pardal garante o sigilo do denunciante e a automática autuação de processo eletrônico de investigação no MPT em qualquer das 125 unidades do órgão no Brasil.

Segundo o procurador do Trabalho, Luis Fabiano de Assis, presidente da Comissão de Gestao do MPT Digital e coordenador do desenvolvimento do aplicativo, "a ideia é a de fortalecer a integração do MPT com órgãos públicos parceiros como as polícias, o Ministério do Trabalho e Emprego e outros agentes públicos responsáveis pela constatação direta ou indireta de irregularidades que prejudiquem os trabalhadores de um ponto de vista coletivo, sobretudo em temas sensíveis como o trabalho infantil, trabalho escravo e riscos ao meio ambiente de trabalho prejudiciais à coletividade de trabalhadores". Ele destaca também que o MPT Pardal requer que uma imagem, vídeo ou som sejam enviados, acompanhados da descrição da irregularidade. "Entre as principais vantagens da inovadora ferramenta, destacam-se a coleta imediata de provas que acompanhem a própria denúncia e o georeferenciamento de todos os casos."

A Polícia Rodoviária Federal é a primeira a utilizar a aplicação móvel em caráter experimental. Segundo a coordenadora de presidente da comissão de direitos humanos da Polícia Rodoviária Federal, Marcia Freitas, "o objetivo é agilizar e fortalecer, com provas visuais, a constatação de irregulares trabalhistas graves com as comumente encontradas por policiais rodoviários federais em seu dia-a-dia, como exploração sexual comercial de menores de dezoito anos, trabalho escravo e transporte irregular de trabalhadores em estradas."

O desenvolvimento da ferramenta se baseia em tecnologia desenvolvida no próprio MPT, sob a coordenação do analista de desenvolvimento Rodrigo Moreira Fagundes. "Pudemos, com esse primeiro aplicativo para dispositivos móveis, aprofundar o uso da Tecnologia da Informação para fortalecer a defesa dos direitos coletivos dos trabalhadores, forte tendência no MPT, que já trabalha com investigações totalmente eletrônicas e com agilidade de processamento", destaca Fagundes.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

5 milhões de trabalhadores se acidentaram em um ano, diz IBGE



 Quase cinco milhões de trabalhadores (4,948 milhões) se acidentaram no Brasil em um ano, entre 2012 e 2013. Os dados inéditos, contidos na Pesquisa Nacional de Saúde, do IBGE, mostram pela primeira vez a extensão da falta de segurança no trabalho no Brasil. O número é seis vezes maior que a única estatística oficial de que o Brasil dispunha até então: as comunicações ao governo de acidentes de trabalho, restritas ao assalariado com carteira assinada. Fogem do controle os funcionários públicos e os informais. Apesar de obrigatórios, os registros de acidentes, mesmo entre os trabalhadores formais, são subdimensionados, como reconhece a própria Previdência Social, que cuida dos números. Os casos que não exigem que o trabalhador se afaste são raramente notificados.
Pelas contas da Previdência, houve 718 mil acidentes em 2013. Para Celia Landmann, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que coordenou a pesquisa juntamente com o IBGE, o número de acidentes é elevado, mas já havia a percepção de que a insegurança no trabalho é latente no Brasil:

— O número é muito alto, mas não surpreendeu tanto assim. Em atendimentos de acidentes e violência em serviços de emergência, a proporção de acidentes de trabalho é de 33%.
No início da semana passada, o mecânico de manutenção Edmilson Capistrano, de 50 anos, recebeu a tarefa de consertar o pneu de um veículo no Aeroporto de Salvador. Funcionário da empresa Lobeck, terceirizada da Infraero, sofreu traumatismo craniano, perdendo massa encefálica, quando o pneu explodiu e o aro atingiu sua cabeça. Ele está em estado grave, em coma, no Hospital Geral do Estado, em Salvador.

— Não houve plano de gestão de risco. Faz-se o trabalho sem avaliar os riscos. Não basta dar EPI (equipamento de proteção individual, como luvas e capacete) e jogar a responsabilidade da segurança para o trabalhador. De que adianta um capacete quando cai um saco de cimento de 30 quilos na cabeça? A análise preliminar do acidente mostrou falta total de gestão de risco — afirmou o coordenador do Setor de Fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho da Bahia, Flávio Nunes.
MAIS DE 1,4 MILHÃO DE ACIDENTES NO TRAJETO
Foi o segundo acidente em poucas semanas. Em maio, outro funcionário da mesma empresa quebrou a clavícula e teve que ser operado. Enquanto trabalhava numa máquina, uma porca se soltou e o atingiu no ombro. O empregado ainda está afastado.
Segundo a gerente de Recursos Humanos da Lobeck, Fernanda Macedo Pestana, o engenheiro de segurança está preparando o laudo sobre o acidente para apresentar à Infraero:

— Temos os dois programas exigidos, de prevenção de riscos ambientais e de controle médico e de saúde ocupacional. Todos os contratos, por regulamentação da própria Infraero, são revistos anualmente, para que tudo seja seguido com rigor.
Luciana Sousa Capistrano, sobrinha de Edmilson, afirma que o tio foi desviado da função de técnico em mecânica industrial e que, tanto a Lobeck quanto a Infraero, não responderam ao pedido da família sobre o atendimento a Capistrano quando ele sair do Hospital Geral do Estado:

— Ele vai precisar de atendimento especializado, de neurologia. Nossa luta é essa. Mas não nos deram qualquer resposta. É um descaso absurdo — afirmou Luciana que foi criada por Capistrano juntamente com o irmão.
Fernanda afirma que está dando toda a assistência à família e que o funcionário não pode ser transferido no momento:

— Temos nossa assistente social do hospital. Nossa preocupação é com ele agora. Ele está estável.
A Infraero informou, por meio de nota, “que adotou todas as medidas necessárias em prol do funcionário acidentado”, fornecendo o primeiro atendimento.
“Na manhã do mesmo dia, a Infraero enviou um assistente social do seu quadro de empregados para dar apoio e acompanhar a família do empregado da Lobeck. Na oportunidade, foi realizado atendimento com a mulher e com os irmãos do empregado, orientando-os e intermediando o atendimento no hospital, ao mesmo tempo em que disponibilizou os contatos necessários para o devido amparo social”, diz a nota.
Pelos números do IBGE, 613 mil trabalhadores ficaram com sequelas ou algum tipo de incapacidade por causa de acidentes. Cerca de 1,627 milhão teve que deixar atividades habituais em consequência do acidente. E 284 mil tiveram que ser internados em razão do acidente.

— Pela primeira vez, tem-se uma pesquisa em todo o território nacional, que traz à tona o tamanho do problema. Os acidentes atingem 3,4% da população de 18 anos ou mais — afirmou Deborah Malta, diretora do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saúde do Ministério da Saúde, que montou a pesquisa com o IBGE.
Os acidentes indo ou voltando do trabalho também são subdimensionados pelos dados da Previdência Social. Os registros mostram 111,6 mil em 2013, o que representou 15,5% do total de acidentes. Pelos números do IBGE, essa proporção sobe para 30%, atingindo 1,441 milhão de trabalhadores.

—É importantíssimo termos um trabalho mais aprofundado nesses acidentes de trajeto, que têm aumentado muito. Foi um passo importante dado pelo IBGE — afirmou Marco Antônio Perez, diretor do Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional do Ministério da Previdência Social.
Ele afirma que era esperado um número maior, já que a Previdência só capta trabalhadores formais. Há encargos na folha de pagamento para cobrir o seguro de acidente de trabalho, o que explica essa limitação. As empregadas domésticas, por exemplo, só agora entrarão nas estatísticas oficiais da Previdência, mesmo assim as que conseguirem ter a carteira assinada:
— Os acidentes que não geram afastamento também são pouco notificados — afirma Perez.
Até mesmo as estimativas dos especialistas para tentar chegar à exata dimensão da insegurança no trabalho no Brasil ficaram abaixo do que o IBGE encontrou:

— Em termos de saúde pública, os dados são muito alarmantes. Nas estimativas que montamos para o estado da Bahia, eram 49 acidentes por dez mil. Os dados do IBGE mostram 340 por dez mil, seis vezes mais — afirmou a doutora em saúde pública Letícia Nobre, da Secretaria Estadual da Saúde da Bahia.
Deborah, do Ministério da Saúde, chama a atenção para a incidência maior de acidentes nas regiões Norte e Nordeste. Enquanto em São Paulo, os acidentes atingiram 2,7% da população de 18 anos ou mais, no Pará, essa proporção sobe para 6,1%:

— Acreditamos que uma fiscalização maior nos estados da Região Sudeste e um movimento sindical mais atuante possam explicar essa diferença na incidência dos acidentes.
Letícia lembra que o estado do Pará concentra atividades mais perigosas como mineração, madeireiras, silvicultura e grandes obras de construção civil.

— Em São Paulo, há uma estrutura industrial com mais tradição de investimento em segurança das empresas. A organização sindical influencia muito, apesar de essa pauta ainda ser marginal na agenda sindical.
A pesquisa separou por sexo, mostrando que os acidentes atingem mais os homens: 70,5% acontecem entre eles. E os mais jovens são os mais afetados: 34% das ocorrências foram na população entre 18 e 29 anos.

— Percebemos que acidentes atingem os menos qualificados, que recebem menos, e onde há menor atuação sindical. São os que não têm vínculo em carteira, terceirizados, ficam muito mais expostos — afirmou Deborah, que avisou que a pesquisa será feita novamente daqui a cinco anos.
O Ministério do Trabalho e Emprego, responsável pelos planos de segurança do trabalho e pela fiscalização, afirmou que não iria comentar a pesquisa do IBGE.

Fonte: AMTE e O Globo



terça-feira, 28 de abril de 2015

Dia 28 de Abril



                                  A luta em memória às vítimas de acidentes e doenças do trabalho
                                                     passa pela luta contra a terceirização


Maria Maeno – Pesquisadora da Fundacentro – Ministério do Trabalho e Emprego

Histórias de dois brasileiros que nasceram nos anos 1990.

Fabio Hamilton Cruz era um entre os 12 milhões de trabalhadores terceirizados existentes no Brasil. Há aproximadamente um ano, no dia 29 de março de 2014, aos 23 anos, ele morreu trabalhando em um dos canteiros das obras da Arena Corinthians, um dos vários estádios que receberam os jogadores da Copa do Mundo. Prestava serviço para a WDS Engenharias, contratada pela empresa Fast, que por sua vez era contratada pela Odebrecht.
As investigações iniciais haviam concluído, como quase sempre, que a culpa
era da vítima, que havia sido negligente. Não usava cinto de segurança e despencou de uma altura de 8 metros, segundo a Fast e de 15 metros, segundo o Corpo de Bombeiros. Depois da inspeção do Ministério do Trabalho,
constatou-se que o jovem não usava mesmo o cinto de segurança, pois como
ele era curto, o seu uso impedia a execução do trabalho para o qual havia sido
designado. A obra não tinha tampouco rede de contenção, que só depois da tragédia, foi instalada. Após o acidente, apenas a área onde havia caído foi isolada, mas os trabalhos continuaram normalmente.
Essa morte só teve repercussão até na grande mídia porque estavam envolvidas obras da Copa do Mundo de 2014. Do contrário, seria apenas mais uma morte na indústria da construção civil, responsável por 16,5% dos acidentes de trabalho fatais registrados em 2013 no Brasil.
Esse episódio é emblemático do que ocorre no mundo do trabalho, no qual o trabalhador trabalha em condições precárias, sob um ritmo intenso, tão
perto de nossos olhos mas tão longe dos nossos corações e mentes. Sequer a
sua morte é motivo para que as obras sejam interrompidas, a não ser por determinação legal, pois as mortes no trabalho são tratadas de forma impessoal, com claro recorte de classe. As mortes da construção civil, do setor
elétrico, do setor petroleiro não despertam interesse especial, ao contrário de vítimas de tragédias que envolvem acidentes aéreos ou incêndios em casas noturnas. É como se a sociedade assumisse que morrer no trabalho faz parte
do jogo, e que morrem aqueles que escolhem se submeter a riscos ou não tomam os devidos cuidados. Ignora-se que a maioria dos trabalhadores não
tem chance de escolher o seu trabalho.
As últimas notícias que tivemos após o ocorrido diziam que a mãe de Fabio havia entrado com pedido judicial de indenização. Muitos dos que leram
essa notícia podem ter pensado que, afinal dinheiro não traria o filho querido de
volta. Mais um recorte de classe, pois ações contra empresas aéreas após desastres aéreos são entendidas e apoiadas amplamente. Nada trará de volta
os sonhos de Fabio. E ele tinha sonhos? Embora ninguém tenha sequer mencionado na mídia, certamente eles os tinha, como qualquer jovem de 23
anos de idade. Talvez tenha contado alguns deles à sua mãe. Talvez não. Sheila (nome fictício), filha única de empregada doméstica, cresceu ouvindo de sua mãe que ela tinha que ter um futuro melhor. Nada de fazer faxina, lavar roupas e banheiros alheios. Para isso tinha que estudar e foi o que
Sheila fez. Quando completou o ensino médio, começou a trabalhar em uma empresa de teleatendimento que prestava serviço a um banco. Saía bem vestida de sua casa, na periferia de São Paulo, para orgulho de sua mãe.
Atendia um cliente após o outro. Alguns eram gentis, já outros gritavam protegidos pelo anonimato e pela distância. A todos tinha que “sorrir com a voz”, mesmo que o coração estivesse apertado dentro do peito. Mas valia apena, pois com o salário dava para pagar apertado uma faculdade de direito
particular. Não entendia porque tanta gente desistia e saía da empresa. O tempo passou, todos-os-dias chegando tarde em casa, ouvindo grosserias de
clientes e não conseguindo resolver suas dúvidas, tendo que atender um após
o outro, sem descanso e no meio de tudo isso, tendo que vender grande número de seguros no mês ... quem é que consegue vender seguro a um cliente que está exasperado por um problema qualquer na conta corrente?
Sheila passou a sonhar que não conseguia bater as metas, não tinha mais vontade de sair de casa nos finais de semana, e depois sequer ao trabalho tinha força para ir. A mãe, preocupada em ver a filha sem o brilho que tinha nos olhos, levou-a ao médico e ouviu dele o diagnóstico: depressão. Mas por que,
se não lava roupas e banheiros alheios, sai de casa bem vestida e não é chamada de empregada doméstica? Se precisar ficar afastada por mais de um
mês, vai ter que ser periciada para receber auxílio-doença do INSS, mas pode
ser periciada por médico contratado pela empresa, porque depois da medida provisória 664 de 30 de dezembro de 2014, o perito pode ser contratado pela empresa. Então, mesmo doença adquirida no trabalho dificilmente vai ser reconhecida como doença ocupacional. Durante o afastamento do trabalho, não vai ter complementação de salário, como o bancário funcionário do banco
tem, pois só presta serviço para o banco; não é bancária. Quando voltar para o
trabalho, estabilidade não vai ter, ao contrário do bancário que, se ficar afastado por 6 meses não pode ser demitido nos primeiros 2 meses após o retorno ao trabalho.
Se continuássemos daria para completar mais de cem histórias rapidamente, mas a ideia não é essa.
É fazer um exercício de imaginação. Se Fabio tivesse nascido em um país que prezasse pela vida dos cidadãos, ele comemoraria seus 24, 25, 26 anos e muito mais. E Sheila ... será que poderia continuar saindo bem vestida
de casa para trabalhar enquanto cursasse a faculdade?
Em nome de Fabio e Sheila, que simbolizam tantos trabalhadores brasileiros e a dor de tantas famílias, temos que sonhar e lutar para que situações como as deles não mais existam. Estudos mostram que acidentes e doenças são mais frequentes entre os terceirizados. 2015 é o ano da luta contra o Projeto de Lei 4330, contra a terceirização, quarteirização ... quem é
responsável mesmo?

(Texto recebido pelo CEREST por Maria Maeno)