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sexta-feira, 28 de abril de 2023

Sobre acidentes de trabalho com ferimentos oculares em Marília

 


O movimento “Abril Verde” é uma campanha que visa a conscientização de trabalhadores, empregadores e sociedade em geral sobre a segurança nos ambientes de trabalho. A campanha tem como símbolo um laço de cor verde para marcar a importância de prevenir os acidentes e as doenças ocupacionais.

Esse movimento é celebrado principalmente no dia 28 de abril: Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho e Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho e o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador Regional de Marília (CEREST) se organiza anualmente para esta data.

Neste ano, a equipe do CEREST Marília, decidiu por trabalhar no nosso Abril Verde a conscientização sobre acidentes oculares em trabalhadores. Isso se deve ao fato de identificarmos em nossos bancos de dados que a ocorrência de acidentes de trabalho que causam ferimento em olhos tem sido muito freqüente. Eles ocorrem principalmente na construção civil e em atividades industriais, pelo contato com poeira, fuligem e projeções de materiais. Além desses riscos, existe também o risco de contaminação biológica na área da saúde através do contato com sangue, fluido e secreções projetados nos olhos dos trabalhadores durante um procedimento.

Em Marília, no ano de 2022 foram registrados 365 acidentes de trabalho com ferimento ocular, destes 54% acidentes de trabalho com autônomos prestadores de serviços, como pedreiros e marceneiros. Também identificamos que 10% dos acidentes aconteceram em grandes empresas, o que demonstra a importância de uma política de segurança no trabalho exigida e posta em prática pelas empresas do município.

O que mais chama atenção é que muitos destes acidentes poderiam ter sido evitados com o uso de óculos de proteção, que são equipamentos de proteção individual certificados e que podem ser adquiridos em lojas autorizadas.

Por este motivo o CEREST Regional Marília, alerta a todos os trabalhadores e empregadores para o uso de óculos protetores para prevenção de acidentes e segurança durante as atividades laborais que envolvam risco para acidentes de trabalho com ferimentos oculares.

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Dia 28 de abril é um bom dia para apresentar nosso relatório de gestão!

Chegamos em um dos dias mais importantes para a saúde do trabalhador: 28 de abril.

Hoje comemoramos o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho em função do Dia em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

O Dia em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho se deve a ocorrência de uma grande explosão de uma mina na Virgínia (EUA), em 28 de abril de 1969 que matou 78 mineiros e alertou o mundo para a importância de uma cultura de segurança e saúde no trabalho. Em 2003 a OIT (Organização Internacional do Trabalho) definiu que essa data seria também o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho.

Em 2019 a data também foi definida no Brasil pela Lei 11.121/2005 como um marco para a reflexão sobre a necessidade de trabalho seguro e saudável no país.

Para vivenciar um trabalho saudável e seguro, diversos fatores precisam ser considerados, medidas preventivas e protetivas devem ser atentamente planejadas e executadas no exercício das atividades. Quando um agravo relacionado ao trabalho acontece, este deve ser encarado como um alerta de que algum desses fatores protetivos falhou e todo o planejamento e execução da atividade deve ser repensado seja pela empresa, seja pelo trabalhador autônomo ou informal.

Portanto o monitoramento do que ocorre em determinado território em termos de segurança e saúde do trabalhador é fundamental para detectar quais os locais de trabalho enfrentam fragilidades que precisam ser verificadas e modificadas garantindo uma condição saudável e segura para o desempenho do trabalho.

O CEREST Marília tem buscado realizar esse monitoramento e o Relatório de Gestão anual do serviço traz indicadores importantes para análise da segurança e saúde do trabalhador na área que compete ao serviço.

Assim, para informar a população - o que é nosso dever - e para contribuir para ambientes mais seguros e saudáveis através de dados quanti-qualitativos em saúde do trabalhador, publicamos hoje, em uma das abas do blog o Relatório de Gestão com dados e ações realizadas em 2021. 

Verifique o conteúdo na aba, leia, se informe, isso faz parte do compromisso do CEREST em ser transparente em suas atividades e dar um retorno ao contribuinte: trabalhador ou empregador, do que é realizado nesse serviço de saúde público. 

Que em 2023 tenhamos pontos a comemorar em melhorias na segurança e saúde do trabalhadores de Marília e região! 


quinta-feira, 25 de abril de 2019

28 DE ABRIL - DIA INTERNACIONAL EM MEMÓRIA ÀS VÍTIMAS DE ACIDENTES E DOENÇAS DO TRABALHO


             Em 28 de abril de 1969, a explosão de uma mina nos Estados Unidos matou 78 trabalhadores. A tragédia marcou a data como o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes do Trabalho. Encampando essa luta, mas com foco na prevenção, a Organização Internacional do Trabalho instituiu em 2003 o 28 de abril como o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho.

            Em todo o mundo, anualmente, cerca de dois milhões de trabalhadores perdem suas vidas no trabalho. São 5 mil mortes por dia, três vidas perdidas a cada minuto, aproximadamente o dobro das baixas ocasionadas pelas guerras e mais do que as perdas provocadas pela Aids. Doze mil das vítimas são crianças.
       Cerca de 270 milhões de acidentes de trabalho acontecem todos os anos e as doenças relacionadas ao trabalho afetam cerca de 160 milhões de pessoas. Isso representa um custo equivalente a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) de todos os países do planeta.

            A campanha “Conte com a Gente, Conte pra Gente”, lançada em Brasília, no dia 28 de abril de 2006 veio para incentivar a notificação dos acidentes e das doenças relacionadas ao trabalho dentro da rede do SUS, que está se fortalecendo a cada dia através da Política Nacional de Notificação de Acidentes e Doenças. Um amplo trabalho de educação e de comunicação, envolvendo os gestores da rede pública de saúde, as universidades, os artistas, os movimentos sociais e os próprios trabalhadores e seus aliados.

Todos com um mesmo objetivo, “alertar contra os acidentes, contra essas mortes, a favor da vida”...

            Em Marília você também pode denunciar através do telefone 3413-4975 ou indo pessoalmente ao CEREST REGIONAL MARÍLIA, localizado na Rua Sergipe, nº. 895.




  Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=2m9ym__hRzU&t=81s

terça-feira, 23 de abril de 2019


 28 DE ABRIL – DIA MUNDIAL DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO
EM MEMÓRIA ÀS VÍTIMAS DE ACIDENTES E DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO

A celebração do dia 28 de abril surgiu por iniciativa do movimento sindical, no Canadá, como denúncia e protesto contra as mortes e doenças causados pelo trabalho.
A data foi instituída pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2003, como uma homenagem às vítimas de uma explosão ocorrida em 1969 em uma mina no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos, que matou 78 trabalhadores. Desde então, no dia 28 de abril, são celebrados eventos em diversos países para a conscientização dos trabalhadores e dos empregadores quanto aos riscos de acidentes no trabalho. De acordo com a OIT, anualmente, cerca de 270 milhões de trabalhadores são vítimas de acidentes de trabalho em todo o mundo.
Em 2005, a data também foi instituída no Brasil como Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, pela Lei nº 11.121/05.
O CEREST REGIONAL DE MARÍLIA (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador) é um dos 178 CERESTs do país, que vêm integrando as celebrações do dia 28 de Abril promovendo ações para melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida do trabalhador.
          Neste ano, no mês de Abril estaremos:

* Divulgando semanalmente vídeos sobre acidentes e doenças relacionados ao trabalho;

* Apoiando a atenção básica no desenvolvimento de atividades coletivas voltadas para a educação em Saúde do Trabalhador;

* Apoiando empresas nas atividades educativas firmando o Abril Verde como o maior apoio à causa de segurança do trabalho;

Cabe aos Cerests regionais capacitar a rede de serviços de saúde, apoiar as investigações de maior complexidade, assessorar a realização de convênios de cooperação técnica, subsidiar a formulação de políticas públicas, apoiarem a estruturação da assistência de média e alta complexidade para atender aos acidentes de trabalho e agravos de notificação compulsória citados na Portaria 104/10, e demais ações afins que se fizerem necessárias em seu território de abrangência.
Criou-se em Marília desde 2005 uma rede de atenção aos trabalhadores deste município, com o registro sistemático dos acidentes de trabalho que são atendidos pela rede de saúde. Desde 2005 o banco de dados de acidentes de trabalho do município, alimentado principalmente pelas investigações das unidades de saúde, tem estruturado, tornando-se uma ferramenta eficaz (e confiável) na orientação de ações de vigilância em saúde e segurança dos trabalhadores, e como base a análise de questões em saúde do trabalhador em Marília.

ACIDENTES DE TRABALHO REGISTRADOS POR MEIO DA FINAT, SEGUNDO CLASSIFICACAO DO AGRAVO NO MUNICÍPIO DE MARÍLIA NOS ANOS DE 2017 E 2018

CLASSIFICAÇAO (Grau de Risco)
2017
%
2018
%
MODERADO
218 (51,9%)
51,9%
9%
311
57,2%
GRAVE
197
46,9%
226
41,5%
FATAL
  05
  1,2%
  07
  1,3%
Total
420
100%
544
100%
Fonte: FINAT – Ficha de Notificação de Acidente de Trabalho

Com relação aos acidentes graves, foram notificados e registrados em banco de dados 226 acidentes, sendo estes divididos em: fratura (189), amputação (08), contusão (06), queimadura (06), FCC (05), perfuração (04), entorse (03), lesão ocular (03), esmagamento (01) e TCE (01).

ACIDENTES DE TRABALHO FATAIS REGISTRADOS NO CEREST, OCORRIDOS EM MARÍLIA NO ANO 2018

Diagnóstico
01
ELETROPRESSÃO APÓS ESCADA TER ENCOSTADO EM REDE ELÉTRICA – ACIDENTE TÍPICO
01
ESMAGAMENTO DE ABDOMEM APÓS SOFRER QUEDA DE ESCADA – ACIDENTE TÍPICO
01
MORTE POR ASFIXIA APÓS DESMORONAMENTO DE TERRA EM VALA DE REDE DE ESGOTO – ACIDENTE TÍPICO
01
POLITRAUMATISMO APÓS COLISÃO DE CARRO COM CARRO –
ACIDENTE TRAJETO
01
POLITRAUMATISMO APÓS COLISÃO DE MOTO COM CAMINHÃO –
ACIDENTE TRAJETO
01
PERFURAÇÃO EM TÓRAX E TCE APÓS CAPOTAR CAMINHÃO – ACIDENTE TÍPICO
01
TCE PROVOCADO POR QUEDA DE ALTURA (TELHADO 5 METROS) – ACIDENTE TÍPICO
 Fonte: FINAT– Ficha de Notificação de Acidente de Trabalho

  Dos acidentes com óbito notificados, em cinco deles não foram realizados intervenção nos locais das ocorrências, pois dois destes casos foram acidentes de trajeto, um foi acidente típico ocorrido no trânsito e em outros dois casos os acidentes ocorreram com trabalhadores autônomos, porém, por meio da visita domiciliar foi realizado orientações cabíveis referentes às ocorrências. Dos casos em que cabia intervenção por parte do CEREST foram realizadas orientações técnicas (alterações de estratégias na realização da atividade laboral, adoção de barreiras e outras medidas protetivas e educativas com o objetivo de se evitar novas ocorrências), além de encaminhamento de uma delas para o Ministério Público do Trabalho em Bauru. 
          




terça-feira, 16 de abril de 2019

A importância da Notificação dos Acidentes e Agravos à Saúde do Trabalhador


As doenças do trabalho referem-se a um conjunto de danos ou agravos que incide na saúde dos trabalhadores, causado, desencadeado ou agravado por fatores de risco presentes nos locais de trabalho. Manifesta-se de forma lenta, insidiosa, podendo levar anos, às vezes até mais de 20, para manifestar o que, na prática, tem demonstrado ser um fator que dificulte o estabelecimento da relação entre uma doença sob investigação e o trabalho. Também são consideradas as doenças provenientes de contaminação acidental no exercício do trabalho as doenças endêmicas quando contraídas por exposição ou contato direto, determinado pela natureza do trabalho realizado.
Algumas doenças do trabalho são consideradas pelo Ministério da Saúde como prioridades para notificação e investigação epidemiológica.
Deve ser notificado através do SINAN na SUSPEITA de:
1-Pneumoconioses,
2-Silicose,
3-Asbestose,                                                                             
4-Asma Ocupacional,
5-Perda Auditiva Induzida por ruído,
6-Lesão por esforço repetitivo/Distúrbio osteomuscular Relacionado ao Trab. (LER/DORT)
7-Intoxicações Exógenas,
8-Dermatoses Ocupacionais,
9-Transtornos Mentais relacionados ao Trablaho,

Nos registros oficiais do SINAN (local de residência x notificação por município Marília) no ano de 2018 tivemos: 128 LER/DORT, 13 Transtornos Mentais, 07 PAIR, 222 Acidentes por material biológico, 12 Intoxicações Exógenas e 290 Acidentes Graves, Fatais e ocorridos com menores de 18 anos.
Notamos a predominância do sexo feminino onde mais de 50% por LER/DORT, das quais (62%) são causadas por ritmo excessivo no trabalho, (31%) por movimentos repetitivos no desenvolvimento da atividade laboral, (5%) por postura inadequada e (2%) por levantamento e transporte de peso.



segunda-feira, 1 de abril de 2019

Todos com um mesmo objetivo, “alertar contra os acidentes, contra as mortes, a favor da vida”.



                    A campanha ABRIL VERDE” veio para incentivar a criação de uma cultura de prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.

                 Sabemos que a notificação dos acidentes e das doenças relacionadas ao trabalho dentro da rede do SUS, está se fortalecendo a cada dia através da Política Nacional de Notificação de Acidentes e Doenças. Um amplo trabalho de educação e de comunicação, envolvendo os gestores da rede pública de saúde, as universidades, os movimentos sociais e os próprios trabalhadores e seus aliados.

                 Em Marília no ano de 2018, segundo a análise do banco de dados da FINAT - Ficha de Notificação de Acidente de Trabalho e do SINAN verificamos:

·         226 acidentes graves e 07 FATAIS
·         128 LER/DORT
·         13 Transtornos Mentais
·         07 PAIR (Perda auditiva induzida por ruído)
·         222 Acidentes por material biológico
·         12 Intoxicações Exógenas
·         Predominantes nas Indústrias de Transformação, no Comércio e Construção Civil.

Como você, cidadão, pode colaborar?

O dever de notificar acidentes de trabalho é do serviço de saúde. Contudo, você pode ajudar informando ao serviço de atendimento quando no ato do acidente de trabalho ou suspeita de doença relacionada ao trabalho; incentivando companheiros de trabalho a procurarem atendimento de saúde quando sofrerem acidente de trabalho ou quando forem acometidos no exercício de suas atividades, sejam elas formais ou informais. Com a sua participação, você estará exercendo cidadania e reivindicando seus direitos, além de contribuir e intervir para transformar a realidade de seu ambiente de trabalho e os fatores que interferem no processo de saúde.



                                          Fonte : https://youtu.be/ZFP0PG6pL-I

sábado, 28 de abril de 2018

28 de abril - Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho


           O dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho,  surgiu no Canadá por iniciativa do movimento sindical, e logo se espalhou por diversos países, organizado por sindicatos, federações, confederações locais e internacionais.
             A data foi escolhida em razão de um acidente que matou 78 trabalhadores em uma mina no estado da Virgínia, nos Estados Unidos no ano de 1969. A OIT, desde 2003, consagra a data à reflexão sobre a segurança e saúde do trabalhador.  Desde maio de 2005, o dia 28 foi instituído no Brasil por meio da Lei nº 11.121.

         A cada ano milhões de trabalhadores se acidentam em todo o mundo e outras centenas de milhares morrem no exercício do trabalho. Segundo estimativas da OIT, ocorrem anualmente no mundo, cerca de 270 milhões de acidentes de trabalho, além de aproximadamente 160 milhões de casos de doenças ocupacionais. Essas ocorrências chegam a comprometer 4% do PIB mundial. Cada acidente ou doença representa, em média, a perda de quatro dias de trabalho. Dos trabalhadores mortos, 22 mil são crianças, vítimas do trabalho infantil. Ainda segundo a OIT, todos os dias morrem, em média, cinco mil trabalhadores devido a acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho.
            No Brasil, bilhões são gastos todos os anos com recursos públicos direcionado aos acidentes do trabalho.

Fonte: http://www.cmqv.org

                                                Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=2m9ym__hRzU&t=81s

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Ainda sobre o 28 de abril!

O saldo da Campanha que marcou o 28 de abril foi muito bom!!!
Conseguimos atingir um número importante de funcionários e consequentemente de usuários do SUS.
Este ano, contamos novamente com o apoio das unidades de saúde da rede básica de Marília.
Outra equipe registrou sua participação na Campanha, foi a USF Santa Antonieta II também mandou sua foto.


E registramos aqui nossa gratidão pela parceria!!!
Valeu equipe do SANTA!!!!!

Registramos também, o cuidado da equipe da USF Flamingo em registrar sua participação na Campanha.
Enviaram-nos a foto, e aqui está!
Mais uma equipe parceira na ação!!!


No mais, como já registrado, em outros posts, o retorno da Atenção Básica, nas ações do CEREST é fiel e importantíssima.
O apoio também dos Sindicatos integrantes da CIST, integrou a Campanha.
As estagiárias de Terapia Ocupacional da Unesp também aderiram e informaram seus pacientes sobre o risco de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
Concluímos que valeu a pena o trabalho com a Campanha e o investimento.

E claro, mais do que marcar a data, é desenvolver no decorrer do ano, ações que evitem que novos nomes integrem a lista de trabalhadores que sofrem de acidente de trabalho ou padecem com suas sequelas e reflexos.


segunda-feira, 25 de abril de 2016

CEREST Marília, faz palestra no Hospital da Unimar

Hoje pela manhã, nas depedências do Hospital Universitário da UNIMAR, aconteceu a palestra ministrada pelos profissionais do CEREST: Cristiano Marques (engenheiro de segurança do trabalho) e Nastássia Andrade Lopes (fisioterapeuta). A palestra versou sobre segurança no trabalho no meio hospitalar. A ação integrou a programação do Abril Verde promovido pelo SESMT do hospital.

Confira as fotos:



Com presença de um grande número de funcionários a ação também fez parte da nossa programação pela semana do 28 de Abril.
Como já comentado em nosso blog o dia 28 de abril é o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidente de Trabalho e por isso o CEREST realizará uma série de ações marcando a data.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Dia 28 de Abril



                                  A luta em memória às vítimas de acidentes e doenças do trabalho
                                                     passa pela luta contra a terceirização


Maria Maeno – Pesquisadora da Fundacentro – Ministério do Trabalho e Emprego

Histórias de dois brasileiros que nasceram nos anos 1990.

Fabio Hamilton Cruz era um entre os 12 milhões de trabalhadores terceirizados existentes no Brasil. Há aproximadamente um ano, no dia 29 de março de 2014, aos 23 anos, ele morreu trabalhando em um dos canteiros das obras da Arena Corinthians, um dos vários estádios que receberam os jogadores da Copa do Mundo. Prestava serviço para a WDS Engenharias, contratada pela empresa Fast, que por sua vez era contratada pela Odebrecht.
As investigações iniciais haviam concluído, como quase sempre, que a culpa
era da vítima, que havia sido negligente. Não usava cinto de segurança e despencou de uma altura de 8 metros, segundo a Fast e de 15 metros, segundo o Corpo de Bombeiros. Depois da inspeção do Ministério do Trabalho,
constatou-se que o jovem não usava mesmo o cinto de segurança, pois como
ele era curto, o seu uso impedia a execução do trabalho para o qual havia sido
designado. A obra não tinha tampouco rede de contenção, que só depois da tragédia, foi instalada. Após o acidente, apenas a área onde havia caído foi isolada, mas os trabalhos continuaram normalmente.
Essa morte só teve repercussão até na grande mídia porque estavam envolvidas obras da Copa do Mundo de 2014. Do contrário, seria apenas mais uma morte na indústria da construção civil, responsável por 16,5% dos acidentes de trabalho fatais registrados em 2013 no Brasil.
Esse episódio é emblemático do que ocorre no mundo do trabalho, no qual o trabalhador trabalha em condições precárias, sob um ritmo intenso, tão
perto de nossos olhos mas tão longe dos nossos corações e mentes. Sequer a
sua morte é motivo para que as obras sejam interrompidas, a não ser por determinação legal, pois as mortes no trabalho são tratadas de forma impessoal, com claro recorte de classe. As mortes da construção civil, do setor
elétrico, do setor petroleiro não despertam interesse especial, ao contrário de vítimas de tragédias que envolvem acidentes aéreos ou incêndios em casas noturnas. É como se a sociedade assumisse que morrer no trabalho faz parte
do jogo, e que morrem aqueles que escolhem se submeter a riscos ou não tomam os devidos cuidados. Ignora-se que a maioria dos trabalhadores não
tem chance de escolher o seu trabalho.
As últimas notícias que tivemos após o ocorrido diziam que a mãe de Fabio havia entrado com pedido judicial de indenização. Muitos dos que leram
essa notícia podem ter pensado que, afinal dinheiro não traria o filho querido de
volta. Mais um recorte de classe, pois ações contra empresas aéreas após desastres aéreos são entendidas e apoiadas amplamente. Nada trará de volta
os sonhos de Fabio. E ele tinha sonhos? Embora ninguém tenha sequer mencionado na mídia, certamente eles os tinha, como qualquer jovem de 23
anos de idade. Talvez tenha contado alguns deles à sua mãe. Talvez não. Sheila (nome fictício), filha única de empregada doméstica, cresceu ouvindo de sua mãe que ela tinha que ter um futuro melhor. Nada de fazer faxina, lavar roupas e banheiros alheios. Para isso tinha que estudar e foi o que
Sheila fez. Quando completou o ensino médio, começou a trabalhar em uma empresa de teleatendimento que prestava serviço a um banco. Saía bem vestida de sua casa, na periferia de São Paulo, para orgulho de sua mãe.
Atendia um cliente após o outro. Alguns eram gentis, já outros gritavam protegidos pelo anonimato e pela distância. A todos tinha que “sorrir com a voz”, mesmo que o coração estivesse apertado dentro do peito. Mas valia apena, pois com o salário dava para pagar apertado uma faculdade de direito
particular. Não entendia porque tanta gente desistia e saía da empresa. O tempo passou, todos-os-dias chegando tarde em casa, ouvindo grosserias de
clientes e não conseguindo resolver suas dúvidas, tendo que atender um após
o outro, sem descanso e no meio de tudo isso, tendo que vender grande número de seguros no mês ... quem é que consegue vender seguro a um cliente que está exasperado por um problema qualquer na conta corrente?
Sheila passou a sonhar que não conseguia bater as metas, não tinha mais vontade de sair de casa nos finais de semana, e depois sequer ao trabalho tinha força para ir. A mãe, preocupada em ver a filha sem o brilho que tinha nos olhos, levou-a ao médico e ouviu dele o diagnóstico: depressão. Mas por que,
se não lava roupas e banheiros alheios, sai de casa bem vestida e não é chamada de empregada doméstica? Se precisar ficar afastada por mais de um
mês, vai ter que ser periciada para receber auxílio-doença do INSS, mas pode
ser periciada por médico contratado pela empresa, porque depois da medida provisória 664 de 30 de dezembro de 2014, o perito pode ser contratado pela empresa. Então, mesmo doença adquirida no trabalho dificilmente vai ser reconhecida como doença ocupacional. Durante o afastamento do trabalho, não vai ter complementação de salário, como o bancário funcionário do banco
tem, pois só presta serviço para o banco; não é bancária. Quando voltar para o
trabalho, estabilidade não vai ter, ao contrário do bancário que, se ficar afastado por 6 meses não pode ser demitido nos primeiros 2 meses após o retorno ao trabalho.
Se continuássemos daria para completar mais de cem histórias rapidamente, mas a ideia não é essa.
É fazer um exercício de imaginação. Se Fabio tivesse nascido em um país que prezasse pela vida dos cidadãos, ele comemoraria seus 24, 25, 26 anos e muito mais. E Sheila ... será que poderia continuar saindo bem vestida
de casa para trabalhar enquanto cursasse a faculdade?
Em nome de Fabio e Sheila, que simbolizam tantos trabalhadores brasileiros e a dor de tantas famílias, temos que sonhar e lutar para que situações como as deles não mais existam. Estudos mostram que acidentes e doenças são mais frequentes entre os terceirizados. 2015 é o ano da luta contra o Projeto de Lei 4330, contra a terceirização, quarteirização ... quem é
responsável mesmo?

(Texto recebido pelo CEREST por Maria Maeno)